segunda-feira, 19 de agosto de 2013

o (des)acordo

Sempre fui comtra o acordo ortográfico. Sempre foi uma coisa que me chocava: ora esta, agora mudar tudo o que aprendi na escola! Ora esta, agora fazer alterações que não fazem sentido nenhum! ora esta, eu que sempre fiz anos em Março, agora passar a fazê-los em março... sempre esgruimi todos os argumentos que me eram lançados, quer por conhecidos, quer em formação profissional sobre o assunto. 
Mas depois surgiu a minha ida para o Brasil. Sim, mudei-me para o lado do lá do oceano. E a minha opinião mudou. Não que os brasileiros usem de forma abrangente o novo acordo, porque o ignoram ainda mais que os portugueses. Lá, nem sequer está a ser implementado de forma oficial, apesar de se verem alguns livros e jornais de acordo com a nova ortografia. Simplesmente me apercebi que o brasileiro é muito diferente do português de Portugal. Não me venham cá dizer que é a mesma língua porque não é. E a integração linguística (e por isso, cultural) é difícil. Os brasileiros não percebem os portugueses. É como se de uma língua diferente se tratasse. As palavras são diferentes (o vocabulário), a gramática então nem se fala. Tudo o que aprendi na escola deixou de fazer sentido. 
E assim, passei a ter toda uma nova perspetiva em relação ao novo acordo. O novo acordo foi a forma mais fácil que arranjei de (quase) me integrar, pelo menos na escrita. E num mundo onde cada vez mais se escreve tudo, via email, já foi um grande passo. O novo acordo veio permitir-me sentir menos "estranha", já que é qualquer coisa que temos em comum, quer queiramos, quer não.   




Enviar um comentário